MONTANHAS IBÉRICAS

Neste Blog partilho com os leitores a minha paixão pelas Montanhas Ibéricas, lugares únicos, cada vez mais raros, onde a beleza das paisagens, a preservação dos ecossistemas e a utilização sustentável pelo homem se unem de uma forma harmoniosa e equilibrada.

29 dezembro 2006

UM VISITANTE INESPERADO...

Publicada por Paulo Almeida Santos



O uso de câmaras automáticas activadas por sensor de movimento ("camera trapping") assume-se, cada vez mais, como uma importante ferramenta para o estudo das populações de mamíferos em estado selvagem. Trata-se de um método não invasivo que permite, com elevado índice de sensibilidade, a identificação precisa das espécies e, em alguns casos, mediante a análise de algumas características morfológicas, a própria individualização do animal. Relações entre vários predadores que ocupam a mesma posição na cadeia trófica, interacção predador-presa, ritmos biológicos das espécies, são outros exemplos de dados que podemos recolher com base neste método. A partir de grandes amostragens, torna-se possível o cálculo de densidades, índices de abundância e tendências populacionais.
A nível mundial, o número de projectos de estudo com base nas câmaras automáticas é cada vez maior. Leopardo-das-neves (Panthera uncia) na Ásia, Jaguar (Panthera onca) na Bolívia, Glutão (Gulo gulo) nos EUA, Urso-pardo (Ursus arctos) e Lince-ibérico (Lynx pardinus) em Espanha, são algumas das espécies monitorizadas por este recurso e sobre as quais se sabe mais hoje em dia.

O lobo é uma das poucas espécies cuja biologia ainda não foi possível caracterizar com base neste método. Será por associarem as câmaras ao homem, o seu arqui-perseguidor, o que os afasta das mesmas? Ou terá a ver com o terreno por onde se deslocam mais frequentemente (estradões, cumeadas, portelas...), menos acessível às câmaras ? Honestamente, ainda não encontrei uma resposta definitiva...
No entanto, as câmaras automáticas servem também para provar que na natureza não existem padrões. Num screening recente (Outubro/2006) de uma zona florestada do norte do distrito de Vila Real, tive a oportunidade de documentar uma série de 22 fotos de um exemplar de lobo-ibérico (Canis lupus signatus). A zona encontra-se próxima de um local de criação histórico, confirmado pelos dados do Censo Nacional de Lobo Ibérico 2002/2003, recentemente publicado pelo ICN/Grupo Lobo. Este lobo, de médio porte, pelagem clara e aparentando insuficiente estado nutricional, surgiu junto à câmara no fim da tarde do dia 7/10 e por aí ficou durante a noite, para voltar a ser fotografado, dias depois, noutra estação fotográfica 500m a montante do vale. Seria uma jovem cria do ano, inexperiente, em explorações ao seu novo território? Ou um sub-adulto, recentemente expulso da alcateia? E porque não um lobo solitário, em busca de uma alcateia receptiva...
Por mais que queiramos conhecer e compreender, a nós, amantes da natureza, só nos é permitido desvendar pequenos pormenores deste enigma que é a biologia animal... É por isto que esta actividade é mais do que um hobbie... É uma verdadeira paixão!





Sequência de fotos

5 comentários:

TPais disse...

Excelentes imagens!Uma boa maneira de começar o meu ano Novo!!Obrigado Pedro por disponibilizares imagens de momentos raros e fantásticos!
Bom Ano

TPais disse...

Peço desculpa, queria dizer Paulo e "saiu-me" Pedro!
mais uma vez votos de um bom ano e que continue a prendar-nos com mais imagens destas!!Seria um bom sinal,não?!

Eduardo Barrento disse...

Excelentes momentos! Tenho pensado fazer o mesmo numa zona onde pensamos haver gato-bravo (encontrámos dejectos) mas o problema é que temos medo que roubem as cãmaras...

Anónimo disse...

É sempre reconfortante ver imagens com estas.

Anónimo disse...

Um bem-haja a todo o defensor,
Do meu lobo adorado.
Obrigado protector,
muito obrigado